CASA AZUL DA LITERATURA
quinta-feira, 31 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
ELA FUGIU DA FLORICULTURA
—Não é possível! Ela escapou novamente! Deixaram-na fugir. Será que ninguém reparou que ela escapuliu?
Ao alvoroço do Rospo, muitos sapos começam a se aglomerar na calçada.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
domingo, 27 de maio de 2012
O CÉU VARRIDO DO SAPO
—Vizinho! Acorde! Venha ver o céu. Só no outono você vê uma coisa assim.
—Rospo, estou dormindo. E você vem me acordar no domingo às 10h da manhã?
—Parece que as nuvens foram varridas. Venha ver. É uma visão única. Não pode perder. Abra a janela!
—Seja sensato, Rospo. Domingo gosto de dormir até mais tarde. Tire uma foto e ponha no google, que depois eu procuro.
—Mas é agora, ao vivo! O momento é sempre o agora. Tanta coisa acontecendo ao mesmo instante no mundo, a vida explodindo em suas ramificações de cores e luzes, e aqui, para você, o céu, de um azul resplandecente, com as nuvens desfiadas, pois foram varridas pela vassoura celestial.
—Não amole, Rospo. Ponha no Facebook! Isso! No Facebook!! Assim poderei "curtir".
—Mas eu quero compartilhar agora, vizinho. Está radiante. Faz bem pro olhar um banho de azul numa manhã de domingo.
—Como você é chato, Rospo! Já disse, ponha no Facebook. Lá eu vou "curtir", vou "compartilhar", vou dizer umas palavras lindas. Mas agora, deixe-me dormir. Se você gostou do céu, fique com ele todinho para você.
—Vizinho, é o que farei. Mas garanto que não estou sozinho. Tenho certeza de que outras janelas estão se abrindo neste instante. Tenho certeza absoluta de que tem alguma criança com o olhar erguido para o céu. Bom sono, e prometo não amolar mais.
—Tudo bem, Rospo. Eu quero curtir o meu domingo, é o único dia que posso ficar até mais tarde na cama. Mas ponha no Facebook, que prometo que vou "curtir" o seu céu varrido.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 —787
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
QUANDO O PASSADO NÃO PRESENTEIA
—Rospo, por que o passado incomoda tanto alguns sapos e algumas sapas?
—Temos que viver em harmonia entre os dois tempos. Viver em sintonia com o passado e o presente, e compreender que o passado não tem que ser referência exclusiva a ponto de responder pelo presente. O presente, que é a dádiva eterna, é que deve prevalecer, é ele que conta. Ele sempre será o melhor regalo. O passado até pode ser referência, mas sem autonomia para interferir no juízo presencial. Ou seja, de que adianta uma diretora de creche dizer que no passado ela lutou contra a ditadura militar se no presente ela oprime os seus funcionários?
—Vamos mais longe, Rospo?
—Sim, sempre gosto de apreciar os movimentos das celebridades. É interessante que uma sapa bem famosa inventou a inveja...
—Explique, por favor.
—Quando um jornalista crítico, com bons e consistentes argumentos questionava em algum artigo algo que nos deveria, a nós, leitor, servir de ponto de partida para a reflexão sobre o modo como algumas carreiras se solidificam na cultura de massa, ela dizia que era inveja. Ou seja, uma crítica amorosa para com o leitor.
—Amorosa para com o leitor?
—Exato. Uma crítica que nos orienta, que nos serve de bússola para que cada leitor possa crescer em entendimento, é sempre, uma escrita amorosa.
—Vai mais, Rospo, vai mais.
—É curioso que se você tem dinheiro, muito dinheiro, você tem condições de comprar a invisibilidade do seu passado.
—Que bobagem, Rospo! Como você disse, o que importa é o presente.
—Mas o ponto culminante aqui, o cruzamento necessário é que o povo da Brejolândia, como sempre, em todos os tempos, é moralista, e julgará o sapo ou a sapa pelo seu passado, pela forma como ele ou ela edificou a sua carreira.
—Interessante!
—Outra coisa interessante é que você pode inventar algo e esse algo vira notícia e vira verdade.
—Que coisa incrível! Nada disso deveria ser necessário, se você acolhe com serenidade os frutos da beleza que planta nos corações.
—Mas cada um tem o direito de ocultar o seu passado. Se não quer que momentos de sua vida tornem-se públicos, é um direito. E como tem dinheiro, pode processar quem se atrever a contrariar a sua vontade.
—Rospo, vamos tomar um sorvete?
—Adoro tomar sorvete com você. Isso é um presente em minha vida.
—Tal como no passado, Rospo. Tal como no passado...
—Nada como receber de braços abertos o presente que nos presenteia...
—Isso mesmo, querida. O presente deveria ser sempre o presente que nos presenteia. Só assim ele poderá ser, no futuro, o passado que presentifica.O passado que não merece passar. Deverá sempre ser motivo de intensa alegria quando nos chega ao porto da saudade.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 —786
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O SAPO FIEL
—Sapabela, a palavra fiel é muito utilizada. Você a encontra em adesivos, em torcidas...—O que mais tem é sapo fiel no mundo.—Sei. Cada sapo é um autêntico Orfeu.—Fala sério, vai.—Devemos ser perseverantes conosco a cada novo amanhecer. Uma cópia fiel de nós.—Eu me contento em ser uma amiga fiel.—O importante nessa história é ser fiel de si mesmo. O fiel da balança deve estar em sua própria consciência.—Ser fiel virou artigo de luxo. Esse é o adjetivo mais caro hoje?—Ser fiel é o requisito básico em qualquer relacionamento.—A sociedade deveria ser fiel para conosco. Cada cidadão deveria ser sentir privilegiado por pertencer a uma sociedade fiel a ele.—Está sonhando alto, Sapabela.—Devemos mesmo ser fiéis conosco. Gostei disso. Pois eu garanto, amigo. Sou fiel a mim. Sendo fiel a mim, sou fiel aos meus amigos.—Muitos se dizem fiéis, mas são apenas anagramas.—Que maluquice é essa de anagrama, Rospo?—Coisa da gramática, Ana.—Pare de brincadeira, Rospo, meu nome é Sapabela.—Pois, é, amiga. Tem quem se diz fiel, mas é o anagrama...—Rospo, estou curiosa.—Filé, Sapabela. Eis o anagrama de fiel.—Pois sou contra-filé.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 —785
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
LAURA BERGALLO
Os(as) Patrulhadoros(as) da Língua
Desde que me entendo por genta, aprendi que a letra “o” é condizenta com o sexo masculino, e que a letra “a” é correspondenta ao sexo feminino, isso nas vezes mais frequentas. Mas aprendi também que existem palavras que são pertencentas aos dois
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PALAVRAS AZUIS
domingo, 13 de maio de 2012
LEVE SUA MÃE
—Que culpa tenho se sou uma festa de viver?
—Rospo, a palavra "culpa" não existe em nosso vocabulário.
—Verdade, Sapabela. Foi um erro meu pronunciar uma palavra inexistente.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 5 de maio de 2012
CONSIDERAÇÕES SAPABÉLICAS
—Rospo, às vezes você é exagerado nas emoções.
—O que está tentando dizer, Sapabela?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
FONTES DA ALEGRIA
Tem tanta alegria em mim, Sapabela, que até desconfio de que seja felicidade.
—E é, Rospo. E onde está a fonte dessa alegria intensa?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
DOIS COPOS
—Noite de feriado, e Rospo encontra a sua grande amiga.
—Como vai, Sapabela?
—Num outono já assanhado para ser inverno. E você, meu querido amigo?
—Colei dois copos.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A QUARTA REGIÃO
—Aprecio você sem moderação, Sapabela.
—Que papinho é esse, Rospo?
—Que papinho é esse, Rospo?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
domingo, 15 de abril de 2012
A ESCADARIA E O ESCRITOR
A ESCADARIA E O ESCRITOR
O escritor não é um filósofo e nem deve se preocupar em sê-lo. Há filósofos que são escritores. Na escadaria dos espíritos necessários, ele está um degrau apenas de distância do filósofo. No mesmo degrau do poeta, um acordo firmado entre os dois, um sinal de cortesia, com certeza do poeta, um gesto solidário para com ele. Há
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PALAVRAS AZUIS
quarta-feira, 11 de abril de 2012
A FILA CIRANDOU
Fulo na fila, Rospo puxa conversa.
—Está curta a conversa, não é, meu amigo?
—Que conversa, sapo? Ninguém está conversando.
—Está curta a conversa, não é, meu amigo?
—Que conversa, sapo? Ninguém está conversando.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 7 de abril de 2012
CONTEMPLANDO AS ESTRELAS
—Que pensamento o aflige, meu amigo?
—Nem havia reparado a sua chegada.
—Nem havia reparado a sua chegada.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
A PRECIOSA FLOR DA FELICIDADE
Começou a grande corrida em busca da flor mais preciosa do mundo: a da felicidade.
Em toda parte, sapos em busca da preciosidade.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
DANÇANDO NO TEMPO
Quando a valsa surgiu causou um escândalo. Como era possível tal coisa? Homem e mulher dançarem tão próximos? Furor. Assombro. Assim aconteceu.
O tempo seguiu e eles continuaram dançando. Boleros, sambas. Veio o twist, o Rock And Roll, e chegou a época em que homens e mulheres passaram a não dançar juntos.
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CASA AZUL DE PALAVRAS
NUMA SEXTA DE LUAR
Sexta-feira, lá vai a Sapabela sabadoficando seu coração, tremeluzindo ao luar. Vontade de abraçar, de cantarolar, de cantar alto, de abrir sua voz na voz do vento suave de outono que roça a noite, glorificando a sexta. Então:
—Rospo! Aqui Rospo! Aqui, deste lado!
—Sapabela! Também veio "curtir" a Praça Azul?
—Rospo! Aqui Rospo! Aqui, deste lado!
—Sapabela! Também veio "curtir" a Praça Azul?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
SORVETE AO LUAR?
—Sapabela, não se vá.
—Do que está falando, Rospo? Nem cheguei ainda. Estou em casa.
—É verdade. Devo estar numa dose alta de ansiedade.
—Mas ligou por algum motivo. Algo o aflige?
—Do que está falando, Rospo? Nem cheguei ainda. Estou em casa.
—É verdade. Devo estar numa dose alta de ansiedade.
—Mas ligou por algum motivo. Algo o aflige?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 24 de março de 2012
DIA ESPECIAL
—Sapabela, hoje é um dia especial.
—Diga, Rospo, por qual motivo hoje é um dia especial?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
ROSPO E A EPIDEMIA
Lá vinha o Rospo chacoalhando os braços abertos.
—"Pronto, lá vem ele fazendo escarcéu."—pensou a Sapabela.
—"Pronto, lá vem ele fazendo escarcéu."—pensou a Sapabela.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 17 de março de 2012
O GALINHEIRO
O GALINHEIRO
Lá estava eu pulando de poleiro em poleiro dentro do galinheiro, brincando de locutor de rádio.
Cada salto um novo "reclame". Sabonete Palmolive. Alka-Seltzer. A lambreta...
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JACY
JACY
Jacy era uma menina branca como a neve. Branca de lua, como costumava dizer o povo do morro Mumuru, onde ela corria com os meninos de Pandorgas. A pequena vendedora de vegetais e frutos em um quiosque na praia, com sua água de coco e sucos naturais. Um largo sorriso e uma oferta de gentilezas conquistava a todos e colecionava amizades como se fossem poemas.
No dia do seu aniversário sempre tinha comemoração. Quando chegava o 20 de julho todos se dirigiam para o quiosque. E faziam uma roda de ciranda que Lia de Itamaracá adoraria, se pudesse ir.
No dia do seu aniversário sempre tinha comemoração. Quando chegava o 20 de julho todos se dirigiam para o quiosque. E faziam uma roda de ciranda que Lia de Itamaracá adoraria, se pudesse ir.
Sempre era vista com uma lua de brinco. Todos gostavam dela, que adorava poesia. Poesia que escrevia para o satélite. Com seu brinco de luar espalhava a brincadeira de ser poeta.
Já tinha dezenas de poesias. Todas nascidas em inspirações enluaradas. Guardava os poemas como se fossem relíquias, e afinal eram. Pelo menos para ela cada poesia valia como um tesouro.
Era considerada por alguns uma maluquinha, principalmente quando dizia que se todos lessem ou escrevessem poemas e os ofertassem para a Lua o mundo seria melhor e entre os homens menos guerra haveria.
Além de sonhadora e poeta costumava dizer que quando morresse queria ser transformada em uma flor, de preferência uma flor gigante.
Tinha uma irmã chamada Selene, cheia de luz e claridade nos longos e ondulados cabelos. Ela lia os poemas da jovem Jacy e os guardava, datando-os e os organizando em uma caixa de papelão. O primeiro foi escrito numa tarde de inverno de 1969.
Todos os dias, naquele momento, quando o entardecer está pedindo lua, a jovenzinha fechava o quiosque e se banhava no mar antes de retornar para casa. Adorava as espumas das águas verdes como esmeralda. Após o banho no esmero da natureza, lá ia com alguns poemas na cabeça.
A caixa de papelão forrada com papel azul já estava com tantos poemas que quase não cabiam mais. "Brevemente não dará para fechar!". Alertava a irmã.
Não tinha jeito, todas as noites ela se punha a rabiscar os poemas do dia, em média cinco por noite, até que pegava no sono. E a pequena Selene sempre tão caprichosa ia acondicionando cada folha na caixa.
Quando anoitecia, de sua janela Jacy contemplava o morro Mumuru. De vez em quando esquecia o sono e subia nele. Quando isso acontecia seus cabelos ondulados tornavam-se prateados: assim dizia o povo de lá, rico de conversas e histórias sob a luz de lanternas de vaga-lume e de lua vagando ao lume das folhas lisas das plantas.
No nascimento de uma noite de ventania ela passou pelos meninos que recolhiam suas pandorgas, e lá, bem no alto, abriu a caixa azul e espalhou seus escritos ao vento. Uma revoada de papel seguiu o bailado do vento.
Na manhã seguinte, quando a irmã descobriu a caixa vazia, ela comentou que fez isso para que pelo menos um poema chegasse até a Lua.
Durante o dia vendeu seus frutos e sorriu bastante, um sorriso tão precioso que espantou os amigos.
Ao entardecer não retornou para casa. Caminhou durante horas em direção a um lago. Quis realizar um sonho antigo. Ver o reflexo da Lua nas águas.
Nunca mais foi vista.
MARCIANO VASQUES
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O ELEFANTE VERDE
O ELEFANTE VERDE
“Um elefante incomoda muita gente...”
O elefante verde tão bonito é de plástico e menor do que uma xícara. Na verdade dentro de uma xícara cabem dois. Quando eu o vi confesso que fiquei sem espaço no pensamento para pensar em outra coisa. Só pensei nele.
Lá estava ele todo majestoso, como deve ser um elefante. A tromba erguida como se quisesse anunciar a sua presença com uma saudação sonora capaz de vergar os verdes da mata como se fosse um vendaval.
Lá estava ele no peitoril do vitrô da cozinha entre dois vasos de violetas. Absoluto e único. Não era o mais importante do planeta porque todos são importantes, mas era o meu. Era o elefante do meu olhar.
Os homens cortam e serram os dentes do elefante. Por causa do branco do marfim arrancam as presas com o animal vivo e depois se forem generosos dão dois tiros de misericórdia e o elefante tomba numa poça ensangüentada. Mas tudo pode ser justificado pelo luxo e pelo valor do marfim.
O tempo passou e veio o plástico que substituiu o marfim, para a sorte dos elefantes. Muitos foram para os circos e permaneceram acorrentados por um pé com a corrente fincada numa estaca, mas só durante os intervalos dos espetáculos.
O elefante é um bicho generoso como todos os animais, mas não tem consciência disso, pois vive e age de acordo com a sua natureza.
Como é bom olhar o elefante verde!
Se eu pudesse o protegeria. Talvez eu possa. Se eu o levasse para dentro de um livro creio que ele estaria protegido...
Penso que é o lugar mais seguro para um elefante. Não apenas para ele, mas para todos os bichos.
Isso mesmo! Um livro. E como um elefante é dono de uma esperteza pesada, ele deverá preferir um que seja lido pelas crianças.
É para lá que estou levando o meu querido!
Num livro as suas orelhas poderão ser aladas e você poderá até voar se quiser.
MARCIANO VASQUES
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O ELEFANTE VERDE
O ELEFANTE VERDE
"Um elefante incomoda muita gente..."
O elefante verde tão bonito é de plástico e menor do que uma xícara. Na verdade dentro de uma xícara cabem dois. Quando o vi confesso que fiquei sem espaço no pensamento para pensar em outra coisa. Só pensei nele.
Lá estava ele todo majestoso, como deve ser um elefante. A tromba erguida como se quisesse anunciar a sua presença com uma saudação sonora capaz de vergar os verdes da mata como se fosse um vendaval.
Lá estava ele no peitoril do vitrô da cozinha entre dois vasos de violetas. Absoluto e único. Não era o mais importante do planeta porque todos são importantes, mas era o meu. Era o elefante do meu olhar.
Os homens cortam e serram os dentes do elefante. Por causa do branco do marfim arrancam as presas com o animal vivo e depois se forem generosos dão dois tiros de misericórdia e o elefante tomba numa poça ensangüentada. Mas tudo pode ser justificado pelo luxo e pelo valor do marfim.
O tempo passou e veio o plástico que substituiu o marfim, para a sorte dos elefantes. Muitos foram para os circos e permaneceram acorrentados por um pé com a corrente fincada numa estaca, mas só durante os intervalos dos espetáculos.
O elefante é um bicho generoso como todos os animais, mas não tem consciência disso, pois vive e age de acordo com a sua natureza.
Como é bom olhar o elefante verde!
Se eu pudesse o protegeria. Talvez eu possa. Se eu o levasse para dentro de um livro creio que ele estaria protegido...
Penso que é o lugar mais seguro para um elefante. Não apenas para ele, mas para todos os bichos.
Isso mesmo! Um livro. E como um elefante é dono de uma esperteza pesada, ele deverá preferir um que seja lido pelas crianças.
É para lá que estou levando o meu querido!
Num livro as suas orelhas poderão ser aladas e ele poderá até voar se quiser.
MARCIANO VASQUES
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segunda-feira, 12 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
CAMINHANDO NA ORLA
—Rospo! As sapas são cantadas na Poesia, na Canção, estão sempre em voga no coração dos sapos. É mesmo assim?
—Sapabela. Quem canta às vezes também oprime.
—Sapabela. Quem canta às vezes também oprime.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O REGIME DO OLHAR
Rospo encontra um amigo:
—Olá! Veja, meu caro, que azul! O céu está lindo agora. O dia floresce ensolarado.
—Vai chover, Rospo! À tarde choverá.
—Repare no sorriso daquela sapinha que dança na calçada. Ela esbanja a alegria de ser criança.
—Aposto que está dançando uma dessas músicas moderninhas. Deveria estar em casa estudando.
—Meu querido. Fico muito feliz quando alguém planta uma roseira ou monta qualquer pequena floricultura em sua casa. E meu vizinho fez isso.
—Falta de ocupação, Rospo. Ele está de férias?
—Não. Plantou no sábado, de manhã.
—Poderia ter aproveitado melhor o seu tempo. Talvez lendo um jornal, ou correndo.
—Quer ver as plantas que ele está cultivando?
—Pare com isso, Rospo! Tenho mais o que fazer.
—Irei com minha amiga Sapabela amanhã à Pinacoteca. Gostaria de ir?
—Não vou em museu, meu caro. Museu já tenho um em casa.
—Como vai sua Pré? Ou já está adolescente? Que lindo rosto tem sua filha! Parabéns! E a meiguice do olhar a todos cativa.
—Você que pensa!: seu rosto atualmente só tem espinhas e cravos. Sabe como são os jovens.
—Certa vez eu a vi desenhar, e fiquei apreciando um de seus desenhos enquanto conversávamos. Lembra? Continua desenhando?
—Vive fazendo uns rabiscos. Preferia que ela arrumasse logo um emprego. Qualquer coisa, Rospo! Chega de ficar em casa sem fazer nada.
—Meu amigo, preciso ir. Posso dizer algo?
—Mesmo se eu disser que não, você dirá. O que é?
—Esse seu regime é danoso. Para você, para a sua alma, e para os que estão ao seu redor.
—Que regime, Rospo? Como de tudo!
—O regime do seu olhar.
—E por acaso olhar faz regime?
—Faz sim. O seu está num regime bem radical.
—Você está é biruta.
—Amigo, abra o seu olhar para as coisas belas da vida, para a simplicidade, para a alegria e suas cores. O mundo, a vida, tudo clama pela renovação do seu olhar. Para de se recusar a ver o que é importante. Chega de regime do olhar!
—Rospo, quer saber? Tenho mais o que fazer. Um bom dia!
—Amigo, obrigado por me desejar um bom dia, mas não custa lembrar. O dia é de nossa responsabilidade.
—Tchau mesmo!
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 —771
Marciano Vasques
—Olá! Veja, meu caro, que azul! O céu está lindo agora. O dia floresce ensolarado.
—Vai chover, Rospo! À tarde choverá.
—Repare no sorriso daquela sapinha que dança na calçada. Ela esbanja a alegria de ser criança.
—Aposto que está dançando uma dessas músicas moderninhas. Deveria estar em casa estudando.
—Meu querido. Fico muito feliz quando alguém planta uma roseira ou monta qualquer pequena floricultura em sua casa. E meu vizinho fez isso.
—Falta de ocupação, Rospo. Ele está de férias?
—Não. Plantou no sábado, de manhã.
—Poderia ter aproveitado melhor o seu tempo. Talvez lendo um jornal, ou correndo.
—Quer ver as plantas que ele está cultivando?
—Pare com isso, Rospo! Tenho mais o que fazer.
—Irei com minha amiga Sapabela amanhã à Pinacoteca. Gostaria de ir?
—Não vou em museu, meu caro. Museu já tenho um em casa.
—Como vai sua Pré? Ou já está adolescente? Que lindo rosto tem sua filha! Parabéns! E a meiguice do olhar a todos cativa.
—Você que pensa!: seu rosto atualmente só tem espinhas e cravos. Sabe como são os jovens.
—Certa vez eu a vi desenhar, e fiquei apreciando um de seus desenhos enquanto conversávamos. Lembra? Continua desenhando?
—Vive fazendo uns rabiscos. Preferia que ela arrumasse logo um emprego. Qualquer coisa, Rospo! Chega de ficar em casa sem fazer nada.
—Meu amigo, preciso ir. Posso dizer algo?
—Mesmo se eu disser que não, você dirá. O que é?
—Esse seu regime é danoso. Para você, para a sua alma, e para os que estão ao seu redor.
—Que regime, Rospo? Como de tudo!
—O regime do seu olhar.
—E por acaso olhar faz regime?
—Faz sim. O seu está num regime bem radical.
—Você está é biruta.
—Amigo, abra o seu olhar para as coisas belas da vida, para a simplicidade, para a alegria e suas cores. O mundo, a vida, tudo clama pela renovação do seu olhar. Para de se recusar a ver o que é importante. Chega de regime do olhar!
—Rospo, quer saber? Tenho mais o que fazer. Um bom dia!
—Amigo, obrigado por me desejar um bom dia, mas não custa lembrar. O dia é de nossa responsabilidade.
—Tchau mesmo!
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 —771
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
FLANELA OU LÃ
Resfriado, escorrendo o nariz
pela calçada moço.
Sem almoço, sem alvoroço,
Sem casaco de flanela ou lã.
Bolo de nozes ou avelã.
Chá de anis.
pela calçada moço.
Sem almoço, sem alvoroço,
Sem casaco de flanela ou lã.
Bolo de nozes ou avelã.
Chá de anis.
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POESIA
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O ESMERO PRINCIPAL
Pensei nas imagens do cinema,
Que me trouxeram alegria.
Audrey Hepburn em "Guerra e Paz",
E tantas outras.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
FRAGMENTOS
Ainda penso que você pode pensar
Que a poesia devolva a necessidade aflita
De outras noites que arderam em febre de luar.
Que a poesia devolva a necessidade aflita
De outras noites que arderam em febre de luar.
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